Na última quarta-feira (23) estreou na Netflix o filme “Enola Holmes“, baseado no universo criado por Sir Arthur Conan Doyle. Diferente das adaptações anteriores da obra de Doyle, este tem Enola Holmes, irmã mais nova de Sherlock e Mycroft, como protagonista.
No filme, Enola que é interpretada por Millie Bobby Brown, parte em busca de sua mãe quando ela desaparece misteriosamente. Usando suas incríveis habilidades dedutivas, Enola se prova tão eficaz quanto seu irmão Sherlock, um dos maiores detetives do mundo. É interessante a forma como o filme aborda esse lado da personagem, já que desde a infância sua mãe a incentivava a desenvolver habilidades totalmente incomuns para mulheres da época, dando a Enola uma grande vantagem contra seus oponentes em qualquer situação.
Por outro lado, a personagem se sente totalmente deslocada no mundo que está distante de seu ideal.
Ao acompanharmos a jornada de Enola, há vários momentos em que a quebra da quarta parede se faz presente, na maioria das vezes quando a protagonista está numa situação de risco ou descobre algo importante. Apesar de ser uma estratégia muito bem utilizada em filmes de sucesso como “Curtindo a Vida Adoidado” (1986) e “Deadpool” (2016) para se conectar melhor com o público, aqui ela é usada tantas vezes em situações aleatórias que chega a ser cansativo.

Juntamente com a ótima performance de Millie Bobby Brown, um ponto de destaque no filme é Henry Cavill. Conhecido por interpretar o Superman no universo da DC Comics nos cinemas, Cavill incorpora uma versão de Sherlock Holmes um pouco diferente da que estamos acostumados.
Com uma personalidade muito mais amigável e até sensível em relação às versões de Benedict Cumberbatch e Robert Downey Jr. , ele se mostra mais empático e apto a entender os impasses emocionais alheios, em especial os de sua irmã Enola.

Com desenvolvimento e presença no filme bem limitados, o Sherlock de Henry Cavill não atende às expectativas de quem espera uma abordagem mais “clássica” do personagem, como foi o meu caso.
O elenco também conta com outros nomes famosos, como Sam Claflin, interpretando o Mycroft, o irmão mais velho de Sherlock e Enola, e Helena Bonham Carter que interpreta a mãe desaparecida dos irmãos Holmes.
Apesar de ter uma abordagem leve e “family friendly“, o filme peca com força no que se diz respeito ao roteiro. Aqui somos apresentados a uma trama principal consistente, aonde a protagonista deve ir atrás de sua mãe. Porém, em boa parte do filme, essa trama principal é totalmente ofuscada pela história paralela de um menino que Enola ajuda a escapar de uma perseguição. Mesmo essa trama secundária sendo tão interessante quanto à principal, o filme gasta praticamente todo o ato final no intuito de resolvê-la, de modo que só retomamos à questão do desaparecimento da mãe de Enola quando faltam poucos minutos para o filme acabar.

Pode parecer insignificante, mas isso faz toda a diferença quando a trama principal fica mal resolvida e vemos tudo passar de forma apressada sem a carga emocional que merece.
Enola Holmes já está disponível na plataforma de streaming e é um bom divertimento para quem procura um filme descontraído. Mas comparando com o grande potencial que tinha para ser uma inesquecível adaptação das aventuras de Sherlock Holmes, não passa de um filme mediano.
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