“The Devil All The Time” já está na Netflix. O filme, que conta com grandes nomes no elenco, estreou no Brasil nessa quarta-feira (17) e é um dos mais esperados da plataforma. Mas será que é bom mesmo?
Escrito e dirigido por Antonio Campos, O Diabo de Cada Dia é um suspense ambientado numa cidade interiorana dos Estados Unidos e conta histórias interligadas de personagens que de alguma forma têm suas vidas marcadas por violência, assassinato e principalmente pela fé.
No filme, Tom Holland ( o atual Homem-Aranha dos cinemas ) interpreta Arvin Russell, um jovem fortemente marcado pelo passado de seu pai, tendo que lidar com suas angústias pessoais ao mesmo tempo em que uma cidade aonde a violência e a morte são naturalizadas faz de tudo para levá-lo ao limite de sua sanidade. É o típico personagem bom que, para sobreviver no seu meio, precisa fazer coisas ruins.
Conhecido por interpretar personagens infanto-juvenis como em “O Impossível” (2012) e até na versão mais recente do Homem Aranha, Tom Holland se aventura aqui no papel mais ousado de sua carreira. E por incrível que pareça, o ator não deixa a desejar quando o assunto é tensão, angústia e uma forte carga emocional.

Outro ponto positivo é Robert Pattinson, que interpreta aqui uma espécie de antagonista. Na pele do mais novo Batman do cinemas, o reverendo Preston Teagardin é a personificação do que acontece quando alguém utiliza a fé religiosa para justificar o injustificável. Para quem está ansioso para ver Pattinson vestir pela primeira vez o manto do Homem Morcego em 2021, esse filme é um ótimo exemplo do ator roubando a cena em todas as vezes que aparece.

Além disso, outros nomes de peso estão no elenco, como Sebastian Stan, Jason Clarke e Bill Skarsgård em papéis secundários, mas com mesmo nível de desenvolvimento e profundidade dramática do protagonista. Essas histórias vão pouco a pouco se entrelaçando, de modo que cada personagem tenha um papel fundamental na construção de uma trama muito bem amarrada.
Como é um filme de suspense, o que não falta é uma boa ambientação. Com a narração em voz do próprio Donald Ray Pollock ( o autor do livro no qual o filme é baseado ) e uma trilha sonora que acompanha o ritmo “lento” da narrativa, fica muito clara a ideia de um povoado isolado das grandes cidades, aonde acontecimentos bizarros fazem parte do cotidiano.

E por falar em bizarro, o filme peca ao explorar pouco esse lado. Apesar desse aspecto ser o principal motor da trama, há poucas cenas em que realmente é mostrada a violência de perto ao ponto de ser impactante. Se o filme já se propõe em tocar em temas sensíveis, não faria mal a violência gráfica ser trabalhada mais a fundo.

Felizmente, isso não chega a estragar de fato a experiência ao assistir as cenas de ação, já que o diretor consegue muito bem fazer com que um momento aparentemente calmo termine numa morte trágica em questão de segundos. Assim, fica a impressão de que qualquer personagem pode morrer a qualquer momento, pois apesar de haver um protagonista, a trama não depende necessariamente dele para conduzi-la. Nesse sentido, os fãs de Quentin Tarantino não tem do que reclamar.
O ponto central do filme é sem dúvida a forma como a religião e a fé são, muitas vezes, deturpadas em prol dos anseios pessoais de cada um. E isso inevitavelmente acaba em desastres. O filme explora à fundo os limites da fé e como ela pode ser usada tanto para o bem, quanto para o mal. Essa mensagem fica clara o tempo todo e é muito fácil traçar um paralelo com a sociedade no mundo real.

O Diabo de Cada Dia é aquele tipo de filme que fica difícil revelar os detalhes da trama sem estragar a experiência de quem vai assistir. É preciso ver com os próprios olhos toda a qualidade que tem ali. Mesmo não agradando todo tipo de espectador pelo ritmo demorado e até cansativo, é um ótimo suspense para curtir no final de semana!
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